O setor dos transportes rodoviários volta a estar no centro do debate laboral, com trabalhadores e representantes sindicais a defenderem mudanças profundas no modelo de remuneração. Em destaque está a exigência de salários base mais elevados, em detrimento da atual dependência de ajudas de custo e dietas isentas de impostos.
Segundo várias associações ligadas ao transporte de mercadorias, o recurso excessivo a ajudas de custo tem servido para mascarar baixos salários base, prejudicando os motoristas a longo prazo, nomeadamente no cálculo de reformas, subsídios e outras prestações sociais.
“Os motoristas não precisam de mais dietas isentas. Precisam de salários reais, justos e declarados”, referem fontes do setor, sublinhando que a prática atual cria desigualdades e fragiliza a proteção social dos trabalhadores.
Além da questão salarial, é também apontada a necessidade de maior fiscalização e do fim da impunidade em situações de incumprimento laboral, incluindo excesso de horas de condução, falsas ajudas de custo e contratos pouco transparentes.
O tema deverá ganhar maior relevância nos próximos meses, com previsões de novas negociações coletivas e possíveis ações de protesto, numa altura em que a falta de motoristas e o aumento do custo de vida colocam pressão adicional sobre o setor.
Fonte: Diário De Transporte
